Palavra feedback em letras de madeira sobre papel kraft

Como usar depoimentos de clientes de forma responsável

Um bom depoimento faz o que nenhum texto da empresa consegue: mostra que outra pessoa, parecida com o seu cliente, confiou e deu certo. Justamente por isso, ele precisa ser real. Depoimento inventado não é só antiético: as regras de publicidade no Brasil exigem que ele seja verdadeiro e comprovável.

Este artigo explica como conseguir bons depoimentos e quais cuidados tomar ao publicar.

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica. Profissões com conselho de classe, como saúde e advocacia, têm regras próprias sobre publicidade e depoimentos, que devem ser consultadas.

O que dizem as regras

O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, do CONAR, trata dos depoimentos (chamados de testemunhais) no artigo 27 e no Anexo Q. Os pontos principais para um pequeno negócio:

  • O depoimento deve ser genuíno e ligado à experiência real de quem fala.
  • Deve ser comprovável: o anunciante precisa conseguir provar que é verdadeiro, se for questionado.
  • Quando o cliente é identificado, nome e sobrenome devem ser verdadeiros.
  • Funcionários ou modelos não podem se passar por clientes.
  • O cliente fala da própria experiência, e não de assuntos técnicos que não domina.
  • É preciso autorização por escrito antes de publicar.

E a LGPD?

Nome, foto e o próprio depoimento são dados pessoais. Pela Lei Geral de Proteção de Dados, o uso deve ter finalidade definida, e a pessoa deve saber onde aquilo vai aparecer. Uma cláusula genérica escondida num contrato é frágil.

Na prática, uma autorização simples e separada resolve: diga onde o depoimento vai aparecer (site, redes sociais, materiais), se inclui foto, e que a pessoa pode pedir a retirada quando quiser. Guarde essa autorização junto com o depoimento. E, se alguém pedir para tirar, tire.

Como pedir um bom depoimento

Pedir "escreve um depoimento pra mim?" costuma render um "Ótimo atendimento, recomendo!". É verdadeiro, mas convence pouco. Depoimentos fortes contam uma pequena história: o problema, o que foi feito e o resultado.

Ajude o cliente com perguntas:

  1. Como era a situação antes de você nos procurar?
  2. O que fez você escolher a gente?
  3. O que mudou depois?
  4. Você recomendaria? Para quem?

Com as respostas, você pode organizar um texto curto e mandar para o cliente aprovar. Ele pode ajustar o que quiser, e a versão publicada é a que ele aprovou. Isso não é inventar: é ajudar a pessoa a dizer, com as palavras dela, o que ela viveu.

Onde e como publicar

Depoimentos funcionam melhor perto do momento da decisão: ao lado do serviço que eles comentam ou logo antes do botão de contato. Alguns cuidados que aumentam a credibilidade:

  • Nome completo ou nome e sobrenome, e, quando fizer sentido, a cidade ou o negócio da pessoa.
  • Foto real, se o cliente autorizar.
  • Link para o trabalho, quando é público, como o site ou o perfil de um cliente empresa.
  • Sem edição que mude o sentido. Corrigir uma vírgula é uma coisa; aumentar o elogio é outra.

O que não fazer

Não invente depoimentos, nem "para preencher até chegarem os reais". Não use foto de banco de imagens com o nome de um cliente. Não peça depoimento a funcionários ou parentes como se fossem clientes. E não ofereça desconto em troca: no caso das avaliações do Google, isso é proibido pelas regras da plataforma, como explicado em como conseguir avaliações no Google.

Poucos depoimentos verdadeiros e específicos valem mais do que muitos genéricos. Eles fazem parte do que torna um site confiável, junto com os outros pontos do checklist de confiança.

Fontes consultadas

  1. CONAR — Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (art. 27 e Anexo Q)
  2. Planalto — Lei nº 13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados)
  3. Google Maps — Política sobre conteúdo proibido e restrito
  4. Stanford — Guidelines for Web Credibility

Luã Teixeira

Desenvolvedor Web

Atualizado em

Conhecer a VIIA